W3Schools

Familiares e amigos se despedem neste sábado (28) da cirurgiã-dentista Mayara Pereira de Oliveira, de 31 anos, morta pelo namorado com um tiro na boca depois de ter sido mantida refém dentro de um carro, no estacionamento do campus do Centro Universitário de Valença, no Sul do Rio de Janeiro.

O corpo dela está sendo velado no Cemitério Portal da Saudade, em Volta Redonda, cidade onde ela morava.

Mayara era aluna de um curso de pós-graduação da área de odontologia. Ela deixa um filho de cinco anos, fruto de outro relacionamento.

O sequestro durou cerca de duas horas e meia. Equipes de segurança da universidade viram os dois discutindo dentro do carro e, ao notar que o homem estava armado, chamaram a polícia. A tentativa de negociação contou com policiais civis e militares.

"A vítima estava dentro do carro, o carro com a porta do motorista aberta e o autor com a arma em punho conversando com os oficiais. Ele conversava, entrava no carro e saia e, nós, aguardando a chegada dos negociadores", disse Carlos Cesar Santos, delegado titular da Polícia Civil de Valença.

Uma equipe da Unidade de Intervenção Tática (UIT) do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) chegou ao local de helicóptero para ajudar no trabalho.

"Teve um momento em que um helicóptero sobrevoou a faculdade e imaginamos que seriam os negociadores do Bope. Mas, de repente, ele abriu a porta do carro, desferindo um tiro contra a vítima. Não teve reação, nem nada. Simplesmente, ele botou a arma sobre o carro e aceitou a rendição", descreveu o delegado.

A vítima foi socorrida pelo Samu e levada ainda com vida para o Hospital Escola da cidade. Segundo os bombeiros, que ajudaram no resgate, a jovem teve quatro paradas cardíacas no hospital, e não resistiu.

Foto: Rianne Neto/TV Rio Sul


A prisão


O cabo Janitom Celso Rosa Amorim, de 39 anos, foi imobilizado por policiais logo após o disparo. Ele foi algemado e levado em um carro da polícia para a delegacia da cidade. O PM fazia parte do no 37º Batalhão, em Resende, e atuava em Itatiaia.

Por ser policial militar, ele foi transferido para o Batalhão Especial da corporação, que fica em Benfica, no Rio de Janeiro.

A polícia apreendeu a arma usada no crime e recolheu os celulares da vítima e do policial. Os investigadores vão procurar por trocas de mensagens que possam ajudar a esclarecer a motivação do assassinato.

Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informou que os policiais seguiram os protocolos das ocorrências com refém.

Disse ainda que o assassino responderá pelo crime nas esferas civil e militar, que repudia "com veemência" a atitude do policial e se solidariza com a família da vítima.


Mulheres protestam em frente à delegacia


Após o crime, um grupo de cinco mulheres fez um protesto em frente à delegacia de Valença. As manifestantes seguravam cartazes com mensagens de indignação pelo assassinato de Mayara.

Os cartazes traziam apelos como “mais segurança para as mulheres”, “parem de nos matar”, “chega de feminicídio” e “Luto por Mayara”.


A prefeitura de Valença emitiu uma nota de apoio e solidariedade aos familiares da vítima, dizendo que "repudia atos de violência contra a mulher e que reforça a necessidade de enfrentar o machismo e a opressão". Disse ainda que lamenta a morte da jovem e que a cidade está comovida.

Foto: Giovani Rossini/TV Rio Sul


Universidade lamenta sequestro e desfecho


Durante o sequestro, os alunos e os colaboradores da universidade foram orientados a não saírem das salas de aulas e dos setores de trabalho. Após o desfecho, as dependências foram esvaziadas e as atividades no campus foram suspensas até a próxima segunda-feira (30).

Um acontecimento inesperado em uma cidade tão tranquila quanto Valença, mas que infelizmente reflete um cenário nacional de violência contra a mulher. Vivenciar essa situação é revoltante e extremamente entristecedor. Nos sentimos impotentes ao testemunhar, mesmo com ação imediata da polícia no local, um desfecho trágico, informou a universidade, em nota oficial.

"Estamos todos muito abalados e unidos em pensamento pela família da Mayara. Seguimos colaborando com autoridades no desdobramento da situação e à disposição da família para suporte nesse momento de dor", finalizou.

Fonte: G1

Deixe seu comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem