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Calmo e sereno, todos os dias, o mesmo senhor sentava-se no mesmo banco e olhava do mesmo ângulo o banco da rodoviária. Pela manhã, ia até a padaria e pedia a mesma xícara de café preto, e gentilmente solicitava a dona da padaria que degustasse seu café no tradicional banco. 

Não despertava ele nenhuma curiosidade nos transeuntes. Passavam por ele, iam e voltavam, sem nem o olhar sequer.

Repetia-se o ato.

Um jovem, recém chegado na cidade, começou a observar aquele senhor e aquele monótona rotina diária. Tomou coragem, com ar de nervosismo, mas ao mesmo tempo seguro dirigiu-se ao senhor:

- Meu caro senhor, percebi que todos os dias, se dirige a mesma padaria, pede o mesmo café, senta-se no mesmo banco e olha do mesmo ângulo para o banco da rodoviária. Por que o fazes?

- Meu jovem, disse contente o senhor, nada é o mesmo. O prédio da padaria, e o banco sendo talvez exceção. O café, no entanto, há dias que mais doces e há dias que mais amargos. Mas de tudo, há algo que muda todos os dias: eu. Todos os dias me assento neste banco na perspectiva de encontrar alguém que olhe a vida de uma forma diferente. A dona da padaria, atende vários clientes, com produtos variados. No entanto, conserva o mesmo estado de ânimo, ou melhor, desanimo. As pessoas da rodoviária passam, indiferentes a mim. Você fugiu a regra. Olhou a monotonia, mas perguntou-me movido pelo ímpeto de conhecimento. Isso o faz ver, na rotina, uma forma de se chegar a sabedoria.

O rapaz sorriu, levantou-se e agradeceu ao senhor.

Manteve-se passando sempre por aquele senhor. Na primeira semana lhe sorria, na segunda, um aceno tímido, no outro mês, não mais lhe percebia. Fora convencido.

O senhor, continuou sendo jovem, e o jovem passou a ser velho.

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